"...A quantidade enorme de pessoas despreparadas que ganham um diploma de bacharel"

Bom dia Brasil Edição do dia 31/01/2012
31/01/2012 07h44 - Atualizado em 31/01/2012 11h36

Estudantes de Direito se preparam para prova da OAB

Para os advogados recém-formados, antes do trabalho vem a carteira. Mas por que é tão difícil passar na prova da OAB? Tem teste neste domingo (5).

Para construir uma carreira de sucesso, estudantes de Direito vão ter de passar na prova. Todos os anos, milhares se inscrevem no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e poucos conseguem aprovação. O próximo está marcado pra domingo (5).
De cara, metade dos candidatos não vai passar da primeira fase. Sem a aprovação, não é possível ter o registro profissional, que permite advogar. O baixo índice de acertos tem levado recém-formados e até veteranos de volta às aulas. Tem muita gente precisando. É cada erro nas provas.
Os estudantes já foram aprovados no vestibular, fizeram cinco anos de faculdade, mas ainda não podem trabalhar na profissão que escolheram. Bacharéis em direito estão fazendo cursinho para tentar passar na prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
“Na faculdade, você tenta elucidar o porquê das coisas, porque leva à criação de uma lei. No cursinho, você analisa a lei propriamente dita, verificando as suas premissas e as suas consequências”, comenta Renato Montans de Sá, professor de processo civil.
A prova está chegando, e as salas de aula dos cursinhos preparatórios para o exame da OAB em São Paulo ficam cheias. Um cursinho, por exemplo, transmite as aulas por meio de telões e de câmeras para todos os estados brasileiros. Enquanto alunos assistem presencialmente às explicações do professor, outros milhares de alunos também estão assistindo ao mesmo tempo.
É um medo coletivo. Esta é primeira vez que a estudante Thalita Brunelli de Paulovai fazer a prova. Ela ainda está cursando o último ano de Direito, e a OAB permite que os formandos deste ano já façam suas tentativas.
Na primeira fase, são 80 questões de múltipla escolha. O candidato tem de acertar, pelo menos, 40, ou seja, metade da prova. “Parece que são muitos mais do que 40. Estou bem ansiosa para poder atingir essa meta e ser aprovada”, diz a estudante.
“Tem coisa que você olha e você fala: ‘Nossa, eu nunca vi isso na minha vida ou eu não estudei. Não fiz a faculdade de Direito’. Mas tem coisa que você lembra – ‘Poxa, eu já vi em algum lugar’”, comenta a estudante Manuella Amorim Maciel.
No último exame, a média nacional de aprovação foi de 24%. O estado com melhor índice de aproveitamento foi a Bahia, com 30%, seguido por Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. São Paulo, o estado com o maior número de inscritos, ficou em 19º lugar, com aprovação de 20%, ou seja, abaixo da média nacional.
“Isso reflete exatamente a quantidade enorme de pessoas despreparadas que ganham um diploma de bacharel, mas que não tem conhecimentos jurídicos suficientes para resolver as questões jurídicas que lhes serão apresentadas pelo cidadão”, aponta a conselheira da OAB, Ivette Senise Ferreira.
O exemplo da falta de preparo dos candidatos fica registrado nas provas. Os erros de português são muitos. Alguns candidatos sequer sabem como escrever as palavras. Saudoso com “l”, ouvida com “h”, bacharel com “u” e acento. A palavra “senso”, de sensatez, foi escrita por um dos alunos com “c” e acabou fazendo referência à pesquisa realizada pelo IBGE.
“É o despreparo cultural e jurídico não só do ensino que é dado na faculdade, mas principalmente no nível fundamental, no ensino básico”, aponta a conselheira da OAB, Ivette Senise Ferreira.
A segunda prova da OAB está marcada para o dia 25 de março. Nessa fase, o candidato responde a apenas quatro questões, mas também precisa escrever uma peça processual, para mostrar que, de fato, tem condições de defender os direitos dos cidadãos.

Até os 8 só elogio, O.K.?



Matéria extraída da Revista VEJA de Fevereiro de 2012

Por Carolina Melo


Os avanços obtidos pela ciência no estudo do cérebro nas últimas duas décadas têm implicações extraordinárias na educação.  Pouco a pouco se tem desvendado como funcionam os processos da cognição humana nos primeiros estágios do aprendizado. Isso abriu aos educadores um leque totalmente novo de recursos  para desenvolver a capacidade dos alunos. Nesse processo, a neurociência já derrubou mitos como o de que as lições na sala de aula devem mirar de forma diferente os lados direito e esquerdo do cérebro ou de que usamos apenas 20% da massa cinzenta. As ferramentas que mais resultados temos produzido  na montagem do novo mapa de aprendizado são os equipamentos de ressonância  magnética, capazes de enxergar em tempo real como o cérebro se comporta diante de diferentes estímulos.
Uma pesquisa recente da Universidade de Leiden, na Holanda, feita com ressonância magnética, serve para orientar os pais e professores a respeito dos estímulos básicos de todo processo educacional: a aprovação e a reprovação dos trabalhos das crianças. O estudo mostra  que as crianças na faixa de 8 a 9 anos aprendem com elogios, mas não tiram lições das críticas negativas. – simplesmente não dão ouvidos a elas. Já as crianças na faixa dos 11 e 13 anos são capazes de aprender com os próprios erros e, portanto, são sensíveis às críticas negativas, da mesma forma que os adultos. Disse a VEJA o neurologista  Paul Thompson, da Universidade da Califórnia, especialista em ressonâncias magnéticas cerebrais: “O lobo frontal do cérebro, responsável pelo autocontrole e pela avaliação das consequências das atitudes, só se desenvolve plenamente a partir dos 12 anos. É por isso que as crianças se expõem a situações de risco sem perceber. Isso explica por que o desenvolvimento cognitivo no cérebro das crianças mais crescidas é ativado por respostas negativas, em quanto nas pequenas ela ocorre por meio de respostas positivas”.

Quebrando mitos
O maior dos mitos pedagógicos desmontados recentemente pela neurociência reza que a mente das crianças é uma folha em branco, e cabe aos pais e à escola preenchê-la com conhecimentos. Para isso, acreditava-se, era pré-requisito que a criança já tivesse desenvolvido a linguagem. Ocorre que as crianças são mais sabidas do que se pensava. Uma série de estudos prova que, a partir dos 3 meses de idade, os bebês já se engajam em um processo intenso de aprendizado de noções rudimentares de biologia, física e aritmética. Antes se pensava apenas que os bebês observavam o ambiente à sua volta e têm a atenção despertada por pessoas e objetos, mas não são capazes de adquirir conhecimento com isso. 

Os bebês entendem
Agora se sabe que os bebês já têm consciência de que, por exemplo, os objetos precisam de um suporte para não cair no chão e de coisas inanimadas só se movimentam se alguém mexer nelas. Antes acreditava que a voz dos pais ou das pessoas conhecidas desperta a atenção das crianças muito pequenas porque elas se habituam a ouvi-la. Agora se sabe que as crianças desenvolvem mecanismos linguísticos antes mesmo de aprender a falar. Elas sabem que as palavras expressam um conteúdo e que o latido de um cachorro ou o toque de um telefone não têm significado algum. As descobertas da neurociência possibilitam aos educadores saber exatamente com o que estão lidando ao incutir o conhecimento nos 100 bilhões de neurônios que carregamos no crânio.
Revista VEJA
01/02/2012
Edição 2254


Eu tinha conhecimento sobre a importância do elogio, mas a novidade é saber que as críticas negativas não têm benefício algum.